Nos últimos vinte anos, as mulheres negras brasileiras organizaram-se em múltiplas formas. Elas têm contribuído enormemente para evidenciar as desigualdades raciais e de gênero na sociedade brasileira, tem promovido diálogos permanentes e percorreram caminhos que possibilitaram, a construção de parcerias e práticas estratégicas com a sociedade civil, com executivo, legislativo, judiciário, com agências de cooperação nacional e internacional na busca, da formulação e implementação de políticas públicas de promoção de igualdade, da eqüidade e da justiça social.

Ao longo da década de 1990, o movimento de mulheres negras envolveu-se completamente nos debates temáticos das Conferências Mundiais organizadas pela Organização das Nações Unidas – ONU - Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento - Cairo, 1994 e Conferência Mundial sobre a Mulher - Beijing, 1995. A intervenção política dessas lideranças negras contribuiu, de forma decisiva, para ampliar e fortalecer a abordagem da intersecção de gênero, etnia/ raça e classe no âmbito internacional.

No biênio 2000 – 2001, a temática do racismo e da discriminação racial estava novamente na pauta internacional, em função do processo preparatório da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas (Durban, África do Sul, 2001); foi constituído um Comitê Impulsor pró-Conferência composto por lideranças de uma diversidade de movimentos negros - religiosos, autônomos, sindical, acadêmicos, cultural...(Carneiro, 2002)

O protagonismo das mulheres negras nos espaços preparatórios das conferências, propiciaram a criação da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileira – AMNB, rede nacional fundada em 2000, no pós - Durban, cuja declaração explicitou os efeitos perversos do racismo, do sexismo e do classismo sobre este contingente social. As reflexões, sobre os indicadores estatísticos e as proposições contidas neste documento foram publicados e divulgadas publicamente denominadas “Nós Mulheres Negras”, substancial documento sobre a situação das mulheres negras no Brasil (Carneiro, 2002).

A AMNB vem acumulando e fortalecendo diálogos articulados com as agendas da Organização das Nações Unidas - ONU, numa construção intragovernos e sociedade civil, pautando a elaboração de novos conceitos de desenvolvimento e de desenvolvimento econômico, na perspectiva de um modelo de desenvolvimento econômico inclusivo, centrado nos direitos, na proteção, na promoção, na igualdade de tratamento, de oportunidades e de condições, na vida no mundo do trabalho, sem racismo, sem sexismo, sem lesbofobia e classismo. Neste contexto realizamos o seminário nacional – AMNB – Novembro de 2004 – elaborou o planejamento estratégico para biênio 2005 – 2007, veja resumo da ópera:

Contribuir para o fortalecimento político e institucional das ONGs integrantes da REDE - AMNB;

•  Monitorar a implementação dos diferentes documentos relativos à erradicação do racismo, do sexismo, da pobreza, e de outras formas de discriminação;

•  Propor e monitorar políticas públicas para as mulheres negras nas esferas federal, estadual e municipal;

•  Construir estratégias de comunicação com recorte de gênero e raça;

•  Construir processos nos diversos campos sociais que favoreçam uma representação positiva da mulher negra;

•  Ampliar e consolidar a intervenção da articulação nos cenários nacional e internacional;

•  Ampliar as alianças (locais, estaduais, nacionais e internacionais);

•  Elaborar plataforma política de gênero e raça para as eleições de 2006;

•  Ampliar a ação política da AMNB com os poderes executivo, legislativo e judiciário;

•  Aprofundar Aliança de Parentesco com as mulheres índias, (Santiago+5, Beijing+10, CNPPIR)

•  1- Da Representação Política

•  Participação em Conselhos:

  • Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – com a renovação do CDES em 2005, a AMNB passou a participar apenas como suplente da Conselheira Lucélia Santos;
  • Conselho Nacional dos Direitos da Mulher –
  • Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial –
  • Conselho Nacional de Saúde –
  • 2- Conferências Nacional - Mundial .
  • Beijing + 10 – 49ª Reunião da CSW - ONU em Nova Iorque, de 28 de fevereiro a 11 de março de 2005.
  • Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, realizada em Brasília, de 30 de junho a 03 de julho de 2005;

3- Articulações da Sociedade Civil:

  • Inter-Redes,
  • Fórum Social Mundial (Comitê Internacional/ Comitê Hemisférico)
  • Jornadas pela Legalização do Aborto Legal e Seguro,
  • Diálogos contra o Racismo,
  • Entidades de Trabalhadoras Domésticas,
  • Campanha 16 Dias de Ativismo de combate a Violência Contra a Mulher.
  • Aliança de Parentesco,
  • Articulações internacionais: organizações de Mulheres do Haiti, Organizações Dalits - Índia e Fórum Social Africano.
  • Campanha contra Violência Doméstica e Sexual;
  • Fórum Mundial de Parlamentares;

4- Preparação de atividades e mobilização para:

  • 10° Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe - São Paulo, de 9 a 12 de outubro de 2005;
  • Marcha Zumbi + 10, Brasília –16 de novembro de 2005;
  • Conferência das Américas Santiago + 5 e Mundial Durban + 5 – São Paulo de 26 a 28 de julho de 2006.

5- Publicações:

Livros – em parceria com a Articulação de Mulheres Brasileiras:

-Políticas de Ajuste x Políticas de Inclusão: gênero e raça nas políticas públicas -Genero , raza y etnia en las dinámicas de la pobreza en America Latina y el Caribe - Documento das Mulheres para a Marcha Zumbi + 10, em parceria com outras organizações de mulheres negras

CD-Rom:

- Mulheres Negras Formulando Políticas de Desenvolvimento

6- Participações locais e estaduais em diferentes atividades, nas diferentes regiões onde a AMNB está.